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| Caminhão pega fogo durante protesto na Fernão Dias. (Foto: Mario Ângelo/Sigmapress/Estadão Conteúdo) |
'Tiro acidental' de policial mata adolescente e gera protesto, diz PM
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| Manifestantes ateiam fogo em ônibus e caminhões durante o
protesto contra a morte do garoto Douglas, na rodovia Fernão Dias, em
São Paulo (SP), nesta segunda-feira (28). (Foto: Beto Martins/Futura
Press) |
Ato contra jovem assassinado por policial terminou com pedestre ferido.
Lojas foram saqueadas, veículos incendiados e rodovia interditada.
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| Caminhões pegam fogo na Rodovia Fernão Dias (Foto: Reprodução/TV Globo) |
A Polícia Militar diz ter prendido "cerca de 90 pessoas" suspeitas de
vandalismo, depredações e saques durante protesto na região do Jaçanã,
na Zona Norte de São Paulo, nesta segunda-feira (28). Ainda segundo
balanço divulgado pela corporação pouco antes das 22h, uma pessoa foi
baleada na Avenida Milton Rocha por um grupo que realizava roubos em
lojas.
No mesmo ato, grupos bloquearam a Rodovia Fernão Dias às 18h40. A
interdição, que ocupou ambos os sentidos, permanecia afetando três
faixas no sentido Belo Horizonte por volta das 22h30. Ao menos cinco
ônibus, três caminhões e um carro foram incendiados na estrada ou em
ruas próximas.
A família diz que o adolescente passava com o irmão de 12 anos em
frente a um bar da Rua Bacurizinho, esquina com a Avenida Mendes da
Rocha, quando um policial militar que chegou ao local para averiguar uma
denúncia atirou.
Na noite de domingo, o incidente gerou um violento protesto por parte
de moradores da Vila Medeiros, que incendiaram três ônibus, atiraram
pedras em veículos e destruíram lixeiras e telefones públicos neste
domingo.
A Força Tática da PM precisou recorrer a bombas de gás lacrimogêneo e a
disparos de balas de borracha para dispersar os manifestantes. Duas
agências bancárias da Avenida Roland Garros também foram danificadas,
além de um carro da polícia apedrejado.
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| Caminhão é incendiado na Rodovia Fernão Dias (Foto: Reprodução/TV Globo) |
Segundo a PM, a pessoa ferida nesta noite levou um tiro no peito e
passava por cirurgia, por volta das 20h50, no Hospital São Luiz Gonzaga.
A PM diz que o atingido era um pedestre que passava pela avenida quando
um grupo realizava saques em uma loja.
Morte levou a protesto
Os crimes desta segunda ocorreram após protestos contra a morte do
estudante Douglas Rodrigues, assassinado por um policial militar no
domingo (27). O soldado responsável pelo disparo foi indiciado por
homicídio culposo (sem intenção de matar), mas foi preso por
determinação da Polícia Militar (PM). O advogado do policial alega que o
disparo foi acidental.
A morte do estudante já tinha levado a protestos na noite de domingo na
mesma região. Três ônibus foram incendiados, alem de lojas e bancos
depredados.
Nesta segunda, os atos de vandalismo se concentraram na Rodovia Fernão
Dias. Caminhões foram saqueados e incendiados. Grupos também protestaram
em ruas da Zona Norte. Lixeiras foram danificadas e objetos foram
incendiados em vias da região, como a Avenida Edu Chaves. Com medo de
saques, comerciantes já tinham fechado as portas mais cedo nas
imediações da Vila Medeiros.
As manifestações se intensificaram no fim da tarde, após o enterro do
estudante. Depois de o grupo ter ateado fogo aos primeiros caminhões, a
Polícia Militar chegou ao km 86 da Fernão, onde os manifestantes se
concentravam.
De acordo com o Jornal Nacional, o secretário da Segurança Pública de
São Paulo,
Fernando Grella, entrou em contato na noite desta segunda-feira com o
ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para articular uma ação
integrada nesta região da cidade, já que a Fernão Dias é uma rodovia
federal.
Policial detido
O policial militar Luciano Pinheiro, de 31 anos, preso por suspeita de
matar Douglas Rodrigues, alega que o tiro que atingiu o estudante foi
acidental. O policial militar havia sido "autuado em flagrante delito
por homicídio culposo (quando não há a intenção)". Ele foi detido por
determinação da corporaç