Operação deteve sete policiais suspeitos de ligação com traficantes.
Justiça concedeu 13 mandados de prisão; seis seguem foragidos.
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| Policiais que estão foragidos, em fotos divulgadas pela Secretaria da Segurança (Foto: Divulgação/SSP) |
A Corregedoria da Administração do Estado de
São Paulo
abriu nesta terça-feira (16) um procedimento para investigar a evolução
patrimonial dos 13 policiais civis que tiveram a prisão decretada pela
Justiça de Campinas por suspeita de envolvimento com traficantes. Sete
deles estão presos desde segunda-feira (15) e outros seis são
considerados foragidos.
A investigação foi pedida pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) com
base no decreto 58.276, de agosto de 2012. Se a Corregedoria constatar
uma evolução do patrimônio incompatível com os recursos recebidos pelos
funcionários, os policiais civis terão 10 dias para apresentar uma
justificativa. O decreto prevê afastamento e até exoneração dos
servidores públicos nos casos de enriquecimento ilícito.
A investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime
Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Campinas, obteve na 6ª Vara
Criminal da cidade 13 mandados de prisão contra delegados,
investigadores, escrivães e carceireiros suspeitos de crimes como
corrupção, extorsão, formação de quadrilha - como por exemplo associação
para o tráfico de drogas. Participaram da operação cerca de 60
policiais civis.
Entre as provas contra os suspeitos estão conversas telefônicas
interceptadas com autorização judicial. De acordo com o Ministério
Público, os policiais civis cobravam uma anuidade de R$ 300 mil dos
traficantes para não serem presos, além de uma mensalidade.
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira,
disse, na noite desta terça-feira (16), que no prazo de 10 dias serão
anunciadas mudanças no Departamento Estadual de Repressão ao
Narcotráfico (Denarc), onde trabalhavam os policiais detidos.
O secretário se reuniu no fim desta tarde com o governador no Palácio
dos Bandeirantes, na Zona Sul de São Paulo, para discutir as diretrizes
destas mudanças. “Tivemos essa reunião para discutirmos as diretrizes
para uma reformulação do Denarc, inclusive quanto aos mecanismos de
controle e outros meio que garantam melhores resultados. Elas
(diretrizes) serão definidas e anunciadas dentro de 10 dias”, afirmou,
sem dar detalhes.
De acordo com Grella, seis policiais suspeitos de envolvimento com o
tráfico são considerados foragidos. “Nós vamos divulgar as fotos deste
policiais por meio do site da secretaria e contamos com a população para
passar informações por meio do Disque-Denúncia”, disse.
Os nomes dos foragidos são Daniel Dreyer Bazzan, Danilo da Silva
Nascimento, Gilson Iwamizu dos Santos, Jandre Gomes Lopes de Souza,
Leonel Rodrigues Santos e Silvio Cesar de Carvalho Videira, segundo a
secretaria.
O secretário fez questão de deixar claro que o governo não vai tolerar
qualquer desvio de conduta por parte de policiais. "Nós sabemos que é
uma minoria de policiais que macula a imagem da instituição. Por isso a
nossa posição sempre firme de apoiar as investigações e de levar adiante
medidas que visem responsabilizar essa minoria que trabalha contra os
interesses da sociedade", declarou Grella.
Combater falhas
Em entrevista à Rádio CBN nesta terça-feira, o diretor do Denarc, Marco
Antônio de Paula Santos, afirmou que é preciso combater falhas de
controle no departamento para evitar os desvios. Ele citou como exemplo o
monitoramento dos percursos feitos pelos carros do Denarc em São Paulo,
onde haveria um controle total. Fora da capital, segundo ele, esse
monitoramento não é completo.
Santos acredita ainda ser possível diminuir o efetivo de policiais no
Denarc, reduzindo ações para apreender drogas e centrando nos serviços
de inteligência para combater o grande traficante. Segundo ele, ao
assumir a direção do Denarc havia 362 funcionários e hoje, são 318. O
delegado diz acreditar que é possível enxugar ainda mais o quadro.