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Suspeito continua internado no Hospital
Luzia de Pinho Melo. (Foto: Reprodução/TV Diário) |
A Polícia Civil informou nesta quinta-feira (21) que levou para um
local "seguro e fora do ambiente familiar" a mulher de 28 anos que foi
baleada em um ponto de ônibus em Jundiapeba, distrito de Mogi das
Cruzes, no dia 9 de novembro. Ela estava internada no hospital Luzia de
Pinho Melo, no Mogilar e recebeu alta médica nesta quarta-feira (20).
Segundo familiares, a mulher foi escoltada pela polícia ao sair do
hospital. Ela não voltou para casa e não está abrigada na residência de
parentes. "Desde que ela saiu do hospital não falamos mais com ela. A
polícia disse que ela fará contato quando for seguro", explicou a irmã
Nailma Duarte.
Segundo o delegado da Delegacia de Homicídios de Mogi das Cruzes, Luiz
Roberto Biló, a medida tem como objetivo proteger a vítima, que é a
única sobrevivente do crime e uma das testemunhas do caso. "Ela não está
escoltada, mas foi levada para fora do ambiente familiar, em local
seguro", disse. A mulher já prestou novo depoimento à polícia, mas o
teor não foi divulgado.
Na véspera de receber a alta, a paciente disse que o rapaz, que também
está internado na unidade, e apontado como principal suspeito de ter
atirado contra a vítima, sua filha de 5 anos e seu companheiro de 63,
não é o autor dos disparos. A informação é de outra irmã da mulher, a
doméstica Nairlei Duarte, que conversou com a vítima na tarde de terça
(19).
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Menina de 5 anos foi uma das vítimas do crime.
(Foto: Reprodução/TV Diário |
O delegado Biló disse que a linha de investigação não muda com a
declaração da vítima. “É natural a vítima voltar atrás. Ela sobreviveu,
ainda está internada. Mas não muda nada. Continuamos a ouvir outras
testemunhas e pessoas ligadas à família e ainda o tratamos como
suspeito”, informou.
Carta ao Papai Noel
Ainda de acordo com a polícia, a família seguia para uma agência dos Correios, onde
a criança deixaria uma cartinha para o Papai Noel.
A carta foi entregue à tia da criança. "A minha sobrinha tinha escrito a
carta para o Papai Noel junto com os irmãos e minha irmã estava indo ao
centro da cidade para entregar nos Correios. O que aconteceu deixou
todo mundo chocado", disse Nairlei.
Na cartinha, a menina pedia uma boneca para o Papai Noel. "Gostaria que
nesse Natal você me desse uma boneca numa caixa grande. Obrigada por
você existir, que Deus esteja sempre no seu caminho", dizia a carta.
Segundo a Polícia Militar, a menina foi atingida por cinco tiros e
morreu a caminho do hospital.
Entenda o caso
As três vítimas estavam em um ponto de ônibus na Avenida Lourenço de
Souza Franco. Segundo a Polícia Civil, o motorista do coletivo disse que
avistou a menina e os pais correndo para o ponto do ônibus e dando
sinal de parada quando se aproximava do ponto por volta das 10h55 de
sábado.
"O autor dos disparos estava sentado no ponto, com uma mochila ao lado.
Quando o ônibus parou, o homem teria perguntado para a mãe da criança:
'você é fulana de tal?'. A vítima fez sinal que não com a cabeça e
entrou no coletivo. O suspeito sacou a arma e o homem de 63 anos deu um
tapa na arma, que caiu no chão", contou o delegado César Donizete
Benedito, da Delegacia Seccional.
O atirador pegou a arma do chão e disparou duas vezes contra o homem,
que caiu e morreu no local. "Sem pena nenhuma, o suspeito começou a
atirar na mulher, que caiu no degrau do ônibus e segundo as testemunhas
pedia para que ele não atirasse na criança", declara o delegado. Segundo
a Polícia Civil, o homem morreu no local e a criança faleceu a caminho
do hospital.