Operação é a primeira feita pelos EUA contra o Estado Islâmico na Síria.
Presidente sírio disse que país está determinado a lutar contra o 'terrorismo'.
O presidente americano, Barack Obama, disse em um pronunciamento na Casa Branca nesta terça-feira (23) que os
Estados Unidos
não estão sozinhos na luta contra os militantes do grupo radical Estado
Islâmico (EI). O Comando Central dos EUA informou que Barein, Jordânia,
Catar, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos participaram ou
apoiaram os ataques contra os alvos do EI nos arredores das cidades de
Raqqa, Deir al-Zor, Hasakah e Albu Kamal, no leste da Síria.
A operação é a primeira feita pelos EUA contra o
Estado Islâmico
na Síria, que enfrenta uma guerra civil há mais três anos. O grupo
radical islâmico está lutando entre os combatentes de oposição ao regime
do líder Bashar Al-Assad, e também se infiltrou no Iraque, se
apropriando de territórios e matando quem não se converte ao islamismo
nessas regiões. Em carta ao Congresso, Obama disse que não é possível
saber a duração da ofensiva contra o EI na Síria e Iraque.
Aviões de guerra e mísseis de cruzeiro Tomahawk lançados de navios
atingiram “combatentes, complexos de treinamento, quartéis-generais e
instalações de comando e controle, instalações de armazenagem, um centro
financeiro, caminhões de suprimento e veículos armados”, declarou o
centro de comando americano.
O porta-voz do Pentágono, almirante John Kirby, declarou que "nossa
indicação inicial é que estes ataques foram muito bem-sucedidos". E deu a
entender que mais bombardeios na Síria estão por vir.
"Posso dizer que os ataques de ontem à noite foram apenas o início", disse Kirby.
Washington ainda afirmou que forças norte-americanas agindo sozinhas
lançaram oito ataques em outra área da Síria contra o "Grupo Khorasan",
unidade da Al-Qaeda que autoridades dos EUA descreveram nos últimos dias
como uma ameaça semelhante à do Estado Islâmico.
"Relatórios da inteligência indicavam que o grupo estava nos estágios
finais de vários planos para executar grandes ataques contra alvos
ocidentais e potencialmente o território americano", explicou à imprensa
o tenente-general William Mayville, diretor de operações do
Estado-Maior das Forças Armadas.
O grupo Khorasan não tinha por objetivo enfrentar o regime sírio ou
ajudar a população local, e sim "estabelecer raízes na Síria, a fim de
realizar ataques contra o Ocidente e os Estados Unidos", explicou.
Mortes
O Observatório Sírio de Direitos Humanos, que monitora a guerra na
Síria,
disse que pelo menos 70 combatentes do Estado Islâmico foram mortos em
incursões que atingiram no mínimo 50 alvos em Raqqa, Deir al-Zor e em
províncias de Hasakah, no leste sírio.
A entidade afirmou que pelo menos 50 combatentes e oito civis foram
mortos em ataques que miraram a afiliada síria da Al Qaeda, a Frente
Al-Nusra, nas províncias de Aleppo e Idlib, no norte, aparentemente se
referindo aos ataques que os norte-americanos disseram ter por alvo o
Khorasan.
O Observatório declarou que a maioria dos militantes da Frente Al-Nusra mortos não era formada por sírios.
No entanto, as forças-armadas disseram desconhecer a existência de
vítimas civis dos ataques e, segundo elas, os ataques aéreos foram
planejados de forma a minimizar o risco para os civis na área, disse o
tenente-general William Mayville.Os ataques aéreos cumprem a promessa do presidente dos EUA,
Barack Obama,
de atuar na Síria contra o Estado Islâmico, grupo sunita que ocupou
vastas áreas da Síria e do Iraque impondo uma interpretação medieval do
islamismo, decapitando prisioneiros e ordenando a xiitas e
não-muçulmanos que se convertam ou morram.
O governo sírio declarou que Washington o informou das incursões horas
antes em uma carta do secretário de Estado, John Kerry, através de seu
colega iraquiano, e uma declaração do Ministério das Relações Exteriores
sírio se absteve de criticar a ação liderada pelos EUA, dizendo que
Damasco irá continuar a atacar o Estado Islâmico e que está pronto para
cooperar com qualquer iniciativa internacional de combate ao terrorismo.
Carta à ONU
Em carta ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a embaixadora dos EUA
nas Nações Unidas Samantha Power disse que os ataques foram necessários
para eliminar a ameaça do Estado Islâmico para o Iraque, para os EUA e
seus aliados, informa a agência Reuters.
Segundo o texto, os Estados Unidos fizeram ataques aéreos na Síria
porque Damasco já "mostrou que não pode e que não irá confrontar os
redutos seguros da organização".
Power afirmou que a ação foi justificada pelo artigo 51 da carta da
ONU, que cobre os direitos individuais ou coletivos dos Estados à Defesa
contra ataques armados.