Por Nidal al-Mughrabi e Jeffrey Heller
GAZA/JERUSALÉM
(Reuters) - Um cessar-fogo na Faixa de Gaza terminou nesta terça-feira,
quando militantes palestinos dispararam dezenas de foguetes contra
Israel, que lançou ataques aéreos que autoridades de saúde disseram
terem matado três pessoas, incluindo uma mulher e uma jovem, na Faixa de
Gaza.
Acusando islâmicos em Gaza de romper a trégua, Israel
prontamente retirou seus negociadores das conversas no Cairo, deixando
em aberto o destino dos esforços mediados pelos egípcios para garantir
uma paz duradoura.
Foguetes foram lançados de Gaza quase oito
horas antes de o cessar-fogo prorrogado na segunda-feira expirar. Mais
tarde, dezenas de projéteis foram disparados contra uma série de cidades
e um deles atingiu um campo aberto na região de Tel Aviv, causando
algum dano, mas nenhuma morte.
Testemunhas em Gaza relataram que
aeronaves de Israel realizaram 35 ataques, incluindo um contra uma casa
na Cidade de Gaza, onde autoridades hospitalares disseram que uma mulher
e uma menina de dois anos foram mortas. Uma terceira pessoa não
identificada também morreu na ofensiva.
A mídia israelense
afirmou que seu país almejou atingir uma autoridade do alto escalão do
Hamas na moradia, possivelmente o chefe da operação de lançamento de
foguetes. O Exército não quis comentar o bombardeio da casa, declarando
somente ter alvejado 30 localidades em Gaza nesta terça-feira.
O
Hamas, que domina Gaza, afirmou ter disparado pelo menos 40 foguetes
contra Israel após o incidente mortal, mirando Jerusalém e Tel Aviv,
especialmente o Aeroporto Internacional Ben-Gurion. Uma autoridade de
segurança israelense disse que as atividades do aeroporto não foram
interrompidas.
Um porta-voz da polícia disse que um carro foi
danificado em Tel Aviv e um foguete foi interceptado na área de
Jerusalém, onde testemunhas ouviram várias explosões logo depois que
sirenes soaram. O Exército disse que um foguete caiu em uma área aberta.
O
braço armado do Hamas emitiu um comunicado após a saraivada de foguetes
acusando Israel de "violar a calma e cometer um massacre... o inimigo
abriu os portões do inferno". Prometeu que Israel irá “pagar um preço
alto” por seus ataques aéreos.
O grupo havia negado envolvimento
nos disparos de foguetes quando três deles atingiram a região de
Beersheba, no sul de Israel, o que o país denunciou como rompimento da
trégua prevista para durar até as 18h (horário de Brasília) desta
terça-feira.
FIM DAS NEGOCIAÇÕES
Por ordem do
primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, os representantes de
Israel presentes no Cairo para conversas indiretas sobre o fim do
conflito em Gaza e o destino do território voltaram imediatamente para
casa.
Israel vem afirmando reiteradamente que não irá negociar
sob fogo, e os mediadores egípcios têm penado para pôr fim à guerra de
cinco semanas e selar um acordo que abriria caminho para a chegada de
ajuda para a reconstrução do território de 1,8 milhão de habitantes,
onde milhares de lares foram destruídos.
Dando a entender que
Israel espera mais episódios de violência, os militares instruíram os
civis do país a erguer abrigos até 80 quilômetros distantes de Gaza, ou
para além da área de Tel Aviv.
Uma autoridade palestina de alto
escalão em Gaza afirmou que os pontos da discórdia para um acordo no
Cairo são a exigência do Hamas para construir um porto e um aeroporto,
que Israel só quer discutir em outra etapa.
Já Israel pediu o
desarmamento dos militantes no enclave. O Hamas diz que entregar as
armas está fora de cogitação e culpou os israelenses pelo impasse nas
conversas.
Pontuada por várias tréguas temporárias, a escala dos
combates em Gaza diminuiu bastante desde que Israel retirou suas tropas
terrestres do território palestino duas semanas atrás, e nenhum dos
lados pareceu disposto a arrastar a guerra.
Mas na segunda-feira
Netanyahu declarou que os militares de seu país estão preparados para
realizar “ações muito agressivas” se os disparos contra Israel
recomeçarem.
De acordo com o Ministério da Saúde palestino, 2.019
pessoas, a maioria civis, foram mortas na Faixa de Gaza desde que a
guerra começou, em 8 de julho. Do lado israelense, 64 soldados e três
civis morreram durante a ofensiva.
(Reportagem adicional de Allyn Fisher-Ilan e Maayan Lubell em Jerusalém e Stephen Kalin no Cairo)