Uma rajada de frio ártico tomou conta da vasta região central dos
Estados Unidosx
nesta segunda-feira (6), com as temperaturas mais baixas em duas
décadas pondo vidas em risco e forçando o fechamento do comércio e das
escolas e o cancelamento de milhares de voos.
Os abrigos para os sem-teto estão superlotados e a produção de petróleo
poderá ficar paralisada já que o frio intenso, descrito por alguns
meteorologistas como "um turbilhão polar" e apelidado pela mídia de
"porco polar", levou as temperaturas a caírem abaixo de 18 graus
centígrados.
As temperaturas estavam em média entre 11 e 22 graus abaixo da média em
partes dos estados de Montana, Dakota do Sul e do Norte, Minnesota,
Iowa, Wisconsin, Michigan e Nebraska, segundo o Serviço Meteorológico
Nacional.
O ar do Ártico seguia em direção à Costa Leste, onde as temperaturas
deverão cair durante esta segunda-feira e chegar a perto de 18 graus
negativos na terça-feira. Os estados do sul do país deverão ter as
temperaturas mais frias dos últimos anos.
"Temperaturas frias e ventos tempestuosos associados com uma massa de
ar do Ártico vão continuar a provocar perigosos ventos gelados até a
cidade de Brownsville, no Texas e a área central da Flórida (ambos no
sul)", informou o serviço meteorológico.
frio ameaça prejudicar a produção de petróleo, especialmente na Dakota
do Norte, o que poderia provocar um aumento no preço dos combustíveis,
disseram analistas. O clima também paralisou os embarques de grãos e
gado e representa uma ameaça à safra dormente de trigo de inverno.
Em Cleveland, no Estado do Ohio, onde a temperatura era de menos 14
graus e a previsão é de que chegue a menos 22 graus à noite, os abrigos
para sem-teto estão lotados. Os administradores dos albergues começaram a
abrir acomodações extras para atender a mais de 2.000 pessoas em busca
de aquecimento.
O Serviço Meteorológico Nacional emitiu alertas de riscos à vida por
causa de ventos gelados no oeste e centro da Dakota do Norte, onde as
temperaturas chegam a 51 graus negativos.
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| Em uma imagem feita com uma lente olho de peixe mulher tenta
retirar neve acumulada em volta do seu carro em Grosse Pointe, Michigan
(Foto: Paul Sancya/AP) |
As temperaturas congelantes nos EUA se assemelham, ou até superam, as
de lugares como Almaty, no Cazaquistão, onde os termômetros registravam
20 graus negativos; Mongólia (menos 23 graus) e Irkusk, na Sibéria
(Rússia), com menos 33 graus.
Voos cancelados
Um total de 3.364 voos foram cancelados e outros 3.155 atrasaram,
segundo a FlightAware.com, que acompanha a atividade das companhias
aéreas no país.
Mais de metade dos voos de e para o Aeroporto Internacional O'Hare, em
Chicago, foi cancelada. À tarde, a temperatura na cidade era de 25 graus
negativos. A última vez que a cidade enfrentou frio como esse foi em
1996, de acordo com o Accuweather.com.
O frio intenso, que se seguiu a uma tempestade na semana passada, com
queda de 60 centímetros de neve em algumas partes do nordeste do país,
prejudicou o movimento do comércio varejista, já que os consumidores
preferiram ficar em casa em vez de enfrentar estradas e estacionamentos
congelados.
A empresa de consultoria em varejo Customer Growth Partners estimou que
em todo o país o movimento caiu de 4 a 5 por cento de 2 a 5 de janeiro,
os últimos quatro dias da temporada de compras de fim de ano. O frio
elevou a demanda por bens e equipamentos usados no inverno, como
limpadores de neve.
De Minnesota, Estado acostumado ao frio, à normalmente quente cidade de
Atlanta, as condições anormais do clima levaram ao fechamento de
escolas.