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| Grupo pede por justiça em frente ao 49º Distrito Policial, em
São Mateus, na zona leste. (Foto: Epitácio Pessoa/Estadão Conteúdo) |
A polícia deteve nesta sexta-feira (28) quatro suspeitos de
participação na morte do garoto boliviano Brayan Yanarico Capcha
durante assalto na madrugada desta sexta-feira (28) em São Mateus, na
Zona Leste. Três deles são menores.
No começo da noite, um grupo de bolivianos protestava em frente ao 49º
Distrito Policial, no mesmo bairro. Um homem levado pela polícia para a
delegacia foi agredido pelos manifestantes, mas os policiais não
confirmaram se ele era um dos quatro suspeitos do crime. (Veja a
reportagem do
Jornal da Globo sobre o tema.)
Os suspeitos foram presos em uma comunidade da Zona Leste de São Paulo.
De acordo com a polícia, todos têm antecedentes criminais. Os policiais
chegaram até eles depois de ouvir os vizinhos.
"São moradores e frequentam o bairro, são autores de quatro roubos
contra as mesmas vítimas. Possivelmente tenha vazado a informação de que
naquele dia essas vitimas tivessem dinheiro em espécie", disse o
delegado Antonio Mestre Junior.
A mãe do menino de 5 anos afirmou que o filho pediu aos criminosos para
"não morrer". Durante a ação, os assaltantes ameaçavam o menino com uma
faca no pescoço e atiraram, segundo os pais, porque a criança chorava e a
família não tinha mais dinheiro.Não me mate, não mate minha mãe”, foram as últimas palavras da criança antes de ser baleada, relatou nesta manhã ao
G1 a mãe, a costureira boliviana Veronica Capcha Mamani, de 24 anos.
Brayan Yanarico Capcha era filho único dela e do marido, Edberto
Yanarico Quiuchaca, 28. A criança chegou a ser socorrida e levada ao
Hospital Geral de São Mateus, mas chegou morta ao local.
A Polícia Civil investiga o caso e procura a quadrilha, que fugiu com
R$ 4,5 mil das vítimas após o crime. Seis criminosos armados com
revólveres e facas invadiram o sobrado onde o casal mora e trabalha com
costura na Vila Bela durante a madrugada desta sexta. No local moram
mais famílias. Cinco dos bandidos usavam máscaras para não serem
identificados. O bando rendeu o tio da vítima que chegava com o carro na
garagem, por volta da 0h30.
Dois assaltantes carregavam armas e quatro estavam com facas. Alguns
criminosos ficaram com o tio no andar térreo do imóvel e os outros
subiram para o andar superior da casa, onde renderam os pais de Brayan.
De acordo com as vítimas, os bandidos eram brasileiros.
Os pais contaram ter dado R$ 3,5 mil aos assaltantes, mas eles exigiam
mais. Em seguida, o tio entregou R$ 1 mil aos bandidos, que não se deram
por satisfeitos e passaram a ameaçar matar Brayan com uma faca caso não
recebessem mais dinheiro. Veronica relatou que ainda abriu a carteira
vazia e mostrou aos bandidos. "Não tinha mais nada", disse ela, que está
há seis meses no Brasil, depois de vir com o marido e filho da Bolívia.
A costureira disse ainda que segurou o menino no colo durante o
assalto, se ajoelhou e implorou que os criminosos não matessem a
criança. Porém, assustado com a situação, o garoto chorava muito, o que
irritou os bandidos. Ela relatou que o criminoso gritava para o menino
"parar de chorar" e não chamar a atenção dos vizinhos. Irritado com o
choro da criança, um dos criminosos atirou na cabeça do menino, que
completaria 6 anos de idade no próximo dia 6 de julho.
"Em seguida, sem nada dizer, friamente o ladrão apontou para a cabeça
da criança e disparou contra sua cabeça", informa o resumo do boletim de
ocorrência registrado como latrocínio no 49º Distrito Policial, em São
Mateus.
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| Pais de boliviano dizem que pretender voltar para a terra natal (Foto: Kleber Tomaz / G1) |
'Insaciáveis'
De janeiro até maio deste ano, o 49º DP ainda não havia tido nenhum
caso de roubo seguido de morte. Policiais civis ouvidos pela equipe de
reportagem investigam a possibilidade de os criminosos conhecerem às
vítimas já que alguns deles cobriam os rostos. Também não é descartada a
hipótese de a motivação do crime ter sido por vingança devido à
crueldade contra a criança.
O crime foi considerado tão hediondo pelos policiais civis que eles
chamaram os criminosos de insaciáveis no boletim de ocorrência.
"Insaciáveis, extremamente agressivos e cruéis, demonstrando profunda
depravação espiritual, visto que os bolivianos não dispunham de mais
nenhuma quantia em dinheiro, não satisfeitos, um dos ladrazes que fazia
uso de capuz para esconder sua fisionomia, veio a efetuar um disparo de
arma de fogo na cabeça da criança, evadindo-se em seguida para rumo
ignorado".
Segundo o registro do caso na polícia, o local onde ocorreu o crime é uma área de invasão. Os pais de Brayan disseram ao
G1
que não têm inimigos no Brasil e que a situação deles está regularizada
desde que vieram de La Paz. Como falam o idioma Aimará e um pouco de
espanhol, a conversa com eles foi acompanhada de parentes que falam
português e serviram como tradutores.
"A única coisa que queremos agora é Justiça e a prisão dos culpados.
Depois queremos ir embora daqui e volta a morar na Bolívia. Viemos aqui
em busca de empregos melhores, mas só encontramos violência", disse
Edberto, que ainda não havia decidido se o sepultamento do filho Brayan
ocorreria no Brasil ou em La Paz. "Precisamos de ajuda financeira para
retornar, mas não conseguimos falar com o consulado".
A equipe de reportagem também não localizou o Consulado Geral da Bolívia em
São Paulo
para comentar o assunto. De acordo com representantes da Associação de
Residentes Bolivianos na capital paulista, São Mateus passou a
concentrar muitas comunidades bolivianas na região por causa do preço do
aluguel.
Prioridade máxima
O secretário da Segurança Pública do Estado de SP, Fernando Grella
Vieira, afirmou nesta tarde que cobrou prioridade máxima no
esclarecimento do caso e na prisão dos criminosos. "Temos uma pista. A
polícia está toda empenhada. É um crime difícil porque não havia
câmeras, não havia elementos outros de informação. Então vai exigir
muito trabalho de campo. E eu queria aproveitar a presença dos senhores
para solicitar à população através do Disque-Denúncia, 181, que ajude a
polícia".
A delegacia especializada em latrocínios do Departamento Estadual de
Investigações Criminais (Deic) e o Departamento de Homicídios e Proteção
à Pessoa (DHPP) também ajudam nas investigações.