Após a execução de dois jovens, na tarde de ontem, a população incendiou
um ônibus da Radial Transportes, veículos e um caminhão, em Suzano.
Além disso, a Avenida Miguel Badra foi bloqueada por uma barricada de
pneus e houve confronto com a Polícia Militar (PM).
Por volta das 17
horas, as vítimas, o menor F.S., de 14 anos, e outro maior ,
identificado apenas como "Japa", estavam na esquina da Rua Josepha
Monagatti Ferri com a Avenida Edmilson Rodrigues, no bairro Miguel
Badra, quando foram surpreendidos por homens encapuzados em um carro
Corsa prata. Quando os suspeitos passaram na frente dos jovens, eles
dispararam diversas vezes.
Segundo apurou a reportagem do DS junto à
população, o menor foi atingido com um tiro na cabeça e morreu na hora.
Já a segunda vítima ficou acuada, encostada na parede e também foi
baleada várias vezes. Depois dos disparos, os suspeitos fugiram.
Após
o crime, testemunhas chamaram unidades do Serviço de Atendimento Móvel
de Urgência (Samu), no entanto, com a demora no resgate, a população
ficou revoltada. Por conta disso, a cerca de 50 metros do local onde
aconteceu o crime, várias pessoas cercaram um ônibus na Rua Edmilson
Rodrigues. Depois de jogar pedras e pedaços de madeira no coletivo, os
suspeitos mandaram que os passageiros e o motorista descessem e atearam
fogo ao coletivo.
O Samu chegou ao local por volta das 18 horas. A
avó do menor assassinado contou que as vítimas estavam mortas, mesmo
assim, o resgate removeu os corpos e os levaram para a Unidade I da
Santa Casa de Misericórdia de Suzano.
Quando o DS chegou, as vítimas
haviam sido colocadas dentro das unidades do Samu. Quando as
ambulâncias saíam para o hospital, várias pessoas deram chutes e socos
nas viaturas.
Logo em seguida ao resgate, um grupo, de
aproximadamente 100 pessoas, se dirigiu para a Avenida Miguel Badra,
onde fizeram uma barricada com pneus e pedaços de madeira. A via teve
uma faixa bloqueada. As chamas atingiram cerca de três metros de altura.
Ainda nas proximidades, uma carreta foi fechada e também foi
incendiada em frente a um mercado. Além disso, um carro, que também
estava próximo à carreta, foi atingido pelas chamas e pegou fogo. De
acordo com pessoas que estavam no local, os incêndios teriam sido
motivados porque os suspeitos que atiraram nas vítimas seriam policiais.
A Polícia Militar (PM) foi chamada, mas, inicialmente, ficou
afastada até a chegada da Tropa de Choque. Quando os PMs começaram a
tentar se aproximar do coletivo incendiado, eles foram recebidos a
pedradas. Apesar disso, os agentes não revidaram as agressões e
continuaram avançando, para permitir que os Bombeiros pudessem apagar as
chamas do coletivo. Eles só começaram o trabalho de rescaldo por volta
das 19h30.
O helicóptero Águia da PM também foi chamado e ficou
sobrevoando a região dando suporte para as unidades em terra, já que,
por conta do incêndio, os cabos foram queimados, deixando a rua no
escuro.
Até o fechamento desta edição, a situação entre a população e
a polícia ainda era complicada no local. O trânsito nas ruas atingidas
pela manifestação foram bloqueadas.